sábado, 18 de maio de 2013

É DE TARDE E CHOVE





Era uma tarde cinzenta, cinzenta fria e chuvosa,
Sentei na velha cadeira esquecida na varanda,
Sem pedir sentou-me ao lado aquela que é mais teimosa,
Rasga o peito, fere a alma e o coração que desanda,
Chega assim tão sorrateira que você sequer percebe,
Lembranças vêm do passado na solidão do presente,
Sem poder mandá-la embora, então a gente recebe,
E fica ali matutando tudo aquilo e até pressente,
Que bom final não terá com aquela chata visita.
Mas disfarça, olha a chuva, faz de conta e se comove,
Porque é experiente, fica triste e não se irrita,
A dor algema meu peito enquanto nos olhos chove.
Já cansado da cadeira, da varanda vou pro quarto,
Também cansado da vida e já sabendo a verdade,
Me acomodo, sinto frio, gela a alma enquanto parto,
Deixando aqui pra vocês esta maldita saudade.

sábado, 20 de abril de 2013

ESTRELAS OU PIRILAMPOS ?






À soleira da porta, sentado,
Coberto por sombras da noite,
Descanso meu corpo malhado,
Depois de um dia de aloite.

Procuro enxergar no horizonte,
Imagens que tragam esperanças,
Mas cedo a verdade, defronte,
São como ilusões de crianças.

O fim dessa estrada que está,
Ali onde os olhos alcançam,
Não param as idéias por lá,
Pois pelo infinito, avançam.

As sombras desenham na terra,
Imagens que vêm da lua,
Que dentro do peito se encerra,
A dor da verdade que é crua.

Não sei se a razão é mais clara,
No brilho da estrela no céu,
Mantendo a visão mais preclara
E o peito apertado e aréu.

Nem sei se a razão é açoite,
Que à luz do fugaz pirilampo,
Pretende mostrar-me na noite,
A dura verdade do campo.

Mas vivo feliz, compartilho,
Com o pirilampo, sozinho,
A solidão que sem brilho,
Faz sombra no peito que aninho.

Saudades eu sei que não levo,
Nem ilusões do horizonte,
O brilho da estrela eu enlevo,
Embora no tempo remonte.

Mas vou buscar na estrela,
A luz desse tal pirilampo,
Pois todas as noites ao tê-la,
Mostrou-me a dureza do ”trampo”.

Morando no céu, com a verdade,
Não corta o meu peito, essa serra,
Da solidão e saudade,
Pois ambas deixo na terra.



              

quarta-feira, 20 de março de 2013

NA DECADÊNCIA DO SER, PARTIR POETA.


 

 

Perde-se a humanidade nas fronteiras do progresso,
Na busca dos conceitos que consagre o mais moderno,
Pra ver o seu orgulho e prepotência no sucesso,
Pois, julga e se compara aos preceitos do Eterno,
Tentando ser maior e esquecendo do decesso,
Inevitável marco que separa o céu do inferno,
Enquanto, se exibe, na razão do réu confesso,
Deixando, na existência, a perder-se o que é fraterno.

Perdida nas delícias do que é mais vantajoso,
Exibe o poderio dos seus bens materiais,
Sentindo-se maior sob o olhar do invejoso,
Mas, sendo na verdade, o pior dos animais,
Mostrando o seu caráter altamente presunçoso,
Vivendo neste mundo, de consensos virtuais,
À margem da verdade em que o amor é tão gostoso,
Ao ser compartilhado com irmãos e nada mais.

Então qual o futuro para os “nobres cidadãos”,
Corruptos, descrentes, desonestos, criminosos?
O Paraíso eterno nas delícias do perdão?
O Inferno em labaredas por seus atos cavilosos?
Meu Deus! A humanidade só me deixa uma opção,
Morrer envergonhado, entre tais perniciosos,
Reconhecer que foram companheiros e irmãos,
Ou só partir poeta, longe dos audaciosos?




(Após a leitura do poema, o declamador concluirá o texto declamando apenas as palavras em negritos).




Nas fronteiras do progresso,
O mais moderno sucesso do Eterno,
Ser maior que separa o céu,
Na razão do réu que é fraterno.

É mais vantajoso, seus bens materiais
Sob o olhar dos animais, o seu caráter,
Neste mundo consensos virtuais?
O amor é tão gostoso ao ser compartilhado,
Nada mais...


Para os “nobres cidadãos” descrentes,
Delícias do perdão?
O inferno em labaredas?
Meu Deus, uma opção!
Morrer envergonhado, reconhecer irmãos,
Partir poeta.