quinta-feira, 24 de novembro de 2011

CHOVIA A CÂNTAROS


 Condorcet Aranha

Era muita chuva, chovia a cântaros.
Enquanto caminhava pelas ruas,
Levando na bagagem solidão e prantos,
Mais forte me apertavam as saudades suas.

Era verão, a tarde transformou-se em noite,
De cada raio, cuja luz riscava o céu,
Seus estrondos eram qual o açoite,
Chicoteando, jogando-me ao léu.

Não haverá pra mim, aqui, outro papel?
Que ator eu sou, sem ovação ou vaia da platéia?
Quero beber o sangue da vitória com sabor de mel,
Mas, não cuspir o pus da minha piorréia.

Chovia tanto! Que me lavou a alma,
Diluiu as esperanças que eram toscas,
Sobre a idéia ilusória, mas, ainda calma,
Deixando as tais verdades, ao sabor das moscas.

Vertia lágrimas nos meus copiosos prantos,
Que ninguém viu ou percebeu as dores.
Tal qual a chuva, eu chorei a cântaros,
Pelas ilusões vencidas, dos meus dois amores.

Amores ancestrais, sublimes, inocentes,
Que me vendo, agora, chorariam mais,
Pois tendo o próprio filho entre os indigentes,
É bem maior que o cântaro, a dor dos pais.



sábado, 19 de novembro de 2011

NÃO ESTAR !




Estar num local, ausente,
Ir ao futuro, agora,
No passado, estar presente,
Chegar cedo, na demora.

Ir sem sequer sair,
Voltar antes de ter ido,
Verdades não possuir,
Destruir o construído.

Erigir sem começar,
Somente o desnecessário,
Sem ter uma cruz à mão
E crava-la no calvário.

Estar em lugar algum,
Mas com seu corpo presente,
Curtindo dos sonhos um,
Onde o enredo está ausente.

Vivendo um só pesadelo,
De alguém que jamais dormiu,
Mas com orgulho de tê-lo,
Sabendo que já partiu.

Conhecer ao que não viu
E saber o que não leu,
É chegar quando partiu
E a esperança diluiu.

Amar sem se ter o amor,
Com saudades de mentira,
É sofrimento sem dor,
É raiva que não tem ira.

Presença de quem partiu,
É fuga do sentimento,
A alma sequer sentiu,
Tristeza num só momento.

Importante é não estar,
Se não pode ser eterno,
Não se permitir levar,
Para o fogo do inferno.
Se, estiver presente, ausente,
Sem estar junto dos teus,
Por vontade onipotente,
Já estás junto de Deus.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

O TEMPO PASSA EM CADA VERSO DO POEMA


 

O tempo passa em cada verso do poema,
Enquanto crio nas imagens emoção,
Porque não posso expressar dentro do tema,
Insegurança nem sequer uma ilusão,
Pois sou poeta da verdade, pura, extrema,
E só libero o interior do coração.

Sinto, as palavras escorrerem, em minhas veias,
Usando o tempo que na vida eu vou gastar,
Para arrumá-las nos meus versos, suas teias,
E conseguir aos meus leitores segurar,
Pra que as horas ao passarem fiquem cheias
De esperanças e de amor. Para alegrar!

É nesta busca prazerosa e até frenética,
Que vou somando cada verso do poema,
Também cuidando do perfil e da estética,
Pra não criar no meu leitor mais um dilema,
Mas sim lhe dar uma leitura que patética,
Desperte a alma no esplendor de nova cena.

Talvez consiga, enquanto o tempo me envelhece,
A experiência necessária e o saber,
Suficientes pra ofertar a quem merece,
A singeleza de uma aurora, o alvorecer,
Ou mesmo a noite escura, eterna, a quem padece,
Na paz sublime, sem temor, ao fenecer.

Assim persisto na procura de razões,
Entre as palavras, versos, textos, poesias,
Que justifiquem nos momentos, emoções,
De alegria, pranto, risos, nostalgias,
Os sentimentos que desgastam corações,
E chegam ao auge terminando nossos dias.