segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

EM VIDA EU VI

Condorcet Aranha

Os olhos meus, em lágrimas, arregalados,
Ao ver à margem, verdejante, de um rio,
Tanta folhagem e também galhos quebrados,
A esconder a vida, em prantos, num sombrio,
Fecharam-se, doridos, tensos, repetidos.
Porque assim, talvez, meu próprio brio,
Justificasse aos olhos turvos, meus sentidos,
E ao coração até roubasse o calafrio.

Pura ilusão, prefácio da ilusão maior,
Pura verdade, porém, uma verdade horrível,
Tal qual resumo sôfrego da porção menor,
Onde o enredo torpe é incompreensível.
Julguei na vida, já ter visto, tudo.
Pensei um dia, me orgulhar de mim,
Mas ao lembrar de mãe, eu fiquei mudo,
Porque meus olhos viam, era o fim.

O fim daquilo que também julguei,
O ser maior e ao qual chamamos gente.
Mas, perceberam os olhos, quanto me enganei,
Ante a verdade, cruel, ali na minha frente.
Toda lembrança, doce, da infância linda,
Do eu, ser criança, alegre, livre e inocente,
Acariciada pela mãe que, hoje, ainda,
É santa e não será jamais abandonada.


Após declamar a poesia, para concluir o texto, o declamador seguirá lendo apenas as palavras em negrito.

sábado, 29 de janeiro de 2011

VOU

Condorcet Aranha 

As angústias do partir,
Começam duras, cruéis.
São difíceis de engolir,
Tal qual engolir papéis.

Tem repentes de pavor
Outros de pura saudade
E entre o ódio e o amor
Irás com a dignidade.

Pouco a pouco é a verdade
Quem toma o teu coração,
Não importa a tua idade
Nem  mesmo o que tens na mão.

Porém dentro do teu peito
A maldade se dilui,
Enquanto o corpo no leito
Alquebrado logo rui.

Surgindo as novas lembranças,
Enquanto o teu corpo finda,
Não te morrem as esperanças
De conseguir algo ainda.

E entre a cruz e a espada
Não poderás decidir,
Embora te reste o nada
É tudo que tens pra partir.

Quando te chega a hora,
Só você não vê o fim,
Não sabe que foi embora
Deixando essa vida assim.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

PENSAMENTOS DE CONDORCET

"A infância é a primeira parte da vida, a segunda parte não é vida".