sábado, 23 de novembro de 2013

ECOS DA NOITE



                       
Novos tempos nos dominam,
Com ecos da noite horríveis,
São sons fortes, nos irritam,
Apavoram, imprevisíveis.

Apitos na madrugada,
Que usam guarda-noturnos,
Pra coisa só ser furtada,
No intervalo dos turnos.

Jovens bêbados, drogados,
Berrando palavras nuas,
Carros loucos, disparados,
Cantando os pneus nas ruas.

São mesmo ecos modernos,
Rádio estoura aos decibéis,
Na porta dos tais infernos,
Onde há droga e coronéis.

E a polícia que devia,
Defender nossos direitos,
Porque se omite e desvia,
Vantagens pra seus proveitos?

Mas são esses os novos ecos,
Que devemos suportar,
Saber que somos bonecos,
Dos que vão nos comandar.

Entre eles nossos filhos,
Poderão se encontrar,
E embora fora dos “trilhos”,
Teremos que perdoar.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

DESPEDIDA QUE TORTURA

  

O céu nublado e escuro, duro, me castiga,
Também o som da marcha fúnebre e a cantiga,
Acompanhando o corpo inerte da amiga,
Que deixa tanta confusão e me intriga. 
 
Aonde encontrar a paz e me livrar,
Das rédeas do poder incauto e cruel?
Chorar nas tiras da mordaça, ou soltar
Nos versos, meu repúdio pra me libertar?

A solução eu sei que é não ser omisso,
E então tomar a posição que, acredito,
Será melhor para firmar meu compromisso,
Com a verdade e deixa-la por escrito.

Assim, meus versos pulsam puros, nus e crus,
Alivia-me a angústia que no peito arde,
E a enorme sensação de impotência é a cruz,
Que levarei à morte embora até me tarde.

Não deixarei a amiga que hoje está morta,
A repousar no túmulo da eternidade,
Sequer permitirei sentir que me conforta,
Lembrá-la dia a dia só como saudade.

É meu dever ressuscitá-la e o farei,
Com fé, coragem e responsabilidade,
Sem me importar com a dor e o tanto que chorei,
Conseguirei traze-la com a força da vontade.

De volta, a forte amiga as rédeas cortará,
Não só do poder ou das tiras da mordaça,
Mas, das arestas pontiagudas ceifará,
A dor que em nossos peitos agoniza e assa.

Ressuscitada ela por certo viverá,
Nos corações de toda nossa humanidade,
E nunca mais um ser sequer contestará,

Ou bulirá com minha amiga Liberdade.

sábado, 19 de outubro de 2013

DILEMA




Dilema é a própria vida,
Não sabemos da chegada,
Nem tão pouco da partida,
Mas sempre é  concorrida.

Desde criança inocente,
Criamos nossos dilemas,
É coisa mesmo da gente,
Com variações de temas.

Já no café da manhã,
Se, vem pão com marmelada,
Diferente da irmã,
Se, quer queijo e goiabada.

Depois, carrinhos, petecas,
Peões, Heróis e o Frajola,
Meninas querem bonecas,
Meninos só querem a bola.

Então aprendem a ler,
Os números e contar,
Alguns gostam de escrever,
Outros de desenhar.

O dilema é sempre parte,
Do nosso cotidiano,
Alguns gostam da arte,
Outros de tocar piano.

Vem depois a adolescência,
Com mentiras e verdades,
Os pais testam a paciência,
Os filhos suas vontades.

Uns preferem namorar,
Outros, só praia e sol,
Alguns gostam de estudar,
Os demais de futebol.

Então vem outro dilema,
Qual profissão escolher,
Ser ator ir pro cinema,
Ou médico é que vou ser?



A profissão nem importa
Se, a faz de coração,
Porque todas abrem a porta,
Da vida e da paixão.

Mas, todos em certa idade,
Querem ter sua família,
Apaixonam-se, verdade,
E ganham filho ou filha.

Aí vem um ciclo novo,
Repetindo-se os dilemas,
Mudam as cenas, muda o povo,
Mas as dúvidas? Centenas...

Chega a hora da partida,
Nem sei se certo ou errado,
Porém dos que tive na vida,
Espero ter acertado.

Deixando como lembrança,
Só meus atos de coragem,
Levando o dilema esperança,

No prosseguir da viajem.