segunda-feira, 1 de agosto de 2011

GRANDE IDÉIA


Condorcet Aranha


Eis que de repente: tudo se apaga,
Nada se percebe ao entorno da imagem,
Apenas um sentido, domina, nos afaga,
É como se chegasse ao fim de uma viagem,
Aflora a emoção e a mente não divaga.

Eis que de repente: o corpo não existe,
O coração não pulsa, o sangue não circula,
Apenas a imagem do início é que persiste,
De resto, nada resta, se resta a gente pula,
Porque a própria mente é fixa, insiste.

Eis que de repente: até o tempo pára,
Não há sequer passado, futuro ou presente,
Porquanto na imagem a coisa se escancara,
É lógica, é razão, um dom onipotente,
Porque tudo na vida da gente se aclara.

Eis que de repente: o problema é solução,
Óbvia a imagem e notória a evidência,
Tudo se resolve com eufórica emoção,
Vencendo o impossível, com base na ciência,
Deixando no passado a falta de opção.

Eis que de repente: a novidade estréia,
Supera a incerteza, crença e verdade,
Destrói conceitos, leis... É a odisséia,
Vislumbre que resulta em felicidade,
Sobeja, insuperável, é a grande idéia.

terça-feira, 26 de julho de 2011

ELA E O MAR


Condorcet Aranha

Ondas revoltas que explodem nas pedras,
Murmuram e caminham, morrendo na praia,
Trazendo saudades de alguém que, distante,
Beijou suas pernas, molhando-lhe a saia.

Exculpem os contornos, perfeitos do corpo,
Razão dos desejos que fervem meu sangue.
Imagem sublime de todos meus sonhos,
Que espero no tempo que pouco se alongue.

Quisera poder ser um raio de sol,
Levar meu calor a esta pele morena,
Deixar minhas ondas revoltas de amor,
Banharem teu corpo na tarde serena.

Quisera ser brisa e lamber seus cabelos,
Soprar do teu corpo, um resto de areia,
Por um só momento senti-la em meus braços,
Fazer-lhe carícias, divina sereia.

Banhando meus olhos na imagem que encanta,
Projeto meus sonhos além da verdade,
Pois tens no olhar a expressão de uma santa,
De gestos sutis e de extrema bondade.

Afogo-me em sonhos de tê-la pra mim,
Suplico que as ondas te deixem na praia,
Procuro na areia e nada de ti, mas enfim,
Aceito a distância a saudade em tocaia.

Porém quando um dia aprender a voar,
Irei pelo céu que é o mais curto trajeto,
E com as mãos estendidas, eu sei, vou buscar,
Meu amor, minha vida, o carinho completo.



terça-feira, 19 de julho de 2011

A BOCA DA NOITE ENGOLIU ILUSÕES



Condorcet Aranha
               
Quando a boca da noite engolia os últimos raios de sol,
E eu deitava no leito ilusões, esperanças de um novo futuro,
Ao cobrir-me com o manto da paz e sonhar com mais um arrebol,
Onde a vida com largos sorrisos, me mostrasse um mundo seguro,
Em manhãs cuja luz clareasse as belezas dos rios e matas,
Não sabia que estava perdido e, assim, submisso à verdade,
Pois, a vida é um palco difícil onde só vencem acrobatas,
Ou aqueles que pensam comprar e servir-se de felicidade.
.
Acordando em manhãs a seguir pelo tempo que tudo envelhece,
Colocando alimento na boca da noite sem muito pensar,
Fui queimando ilusões, esperanças, futuros e preces,
A pedir pela paz, união e irmandade, sem nunca encontrar.
Ao sonhar arrebóis onde o amor simplesmente acontece,
Nem sequer percebi a mesmice dos dias que, sempre a somar,
Guardavam em meu peito um acervo cruel que nunca arrefece,
Pra chegar noutra noite iludido e perdido para um novo sonhar.

Foi com pedras de sonhos que ergui meu castelo de amor,Pra lá dentro viver com pureza e verdade, e ser bem feliz,
Mas esqueci que existem a maldade, a tristeza e a dor,
Sentimentos que o tempo nos faz enxergar, nos tornando servis.
Aprendi a escutar e entender o porquê do chamado terror,
Percebi que mais importante não é o que digo, é o que o outro me diz,
Se certo ou errado será um limite, detalhe, ou lá o que for,
Capaz de guiar-nos na vida, com menos tropeço na nossa diretriz.

O tempo passou, o sonho acabou e a verdade chegou,
Sem rios e matas, sem fé e esperanças, a vida fugiu,
Sobrou a angústia do nada foi feito e que nada mudou,
Cobriu-me a vergonha de ser incapaz, apenas um vil,
Um resto de sonhos; de crença e esperança, e tudo acabou,
Na boca da noite, faminta e sedenta, que também me engoliu.
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Terminado o texto se declama apenas as palavras em negritos.
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Quando à boca da noite eu deitava no leito com o manto da paz;
Largos sorrisos; as belezas dos rios e matas,
Não sabia que estava perdido, pois a vida é um palco de felicidade.
Acordando em manhãs sem muito pensar, Fui queimando ilusões a pedir pela paz,
Ao sonhar arrebóis nem sequer percebi um acervo cruel para um novo sonhar.
Meu castelo com pureza e verdade, a maldade, a tristeza e a dor,
Que o tempo nos faz enxergar, escutar e entender,
Que mais importante será um limite, capaz de guiar-nos na vida.
O tempo passou, a vida fugiu, sobrou a angústia de ser incapaz,
Um resto de sonho, que também me engoliu.