terça-feira, 31 de maio de 2011

FANTASIAS - ALPAS XXI

 

O TEMPO PASSA EM CADA VERSO DO POEMA

Condorcet Aranha

O tempo passa em cada verso do poema,
Enquanto crio nas imagens emoção,
Porque não posso expressar dentro do tema,
Insegurança nem sequer uma ilusão,
Pois sou poeta da verdade, pura, extrema,
E só libero o interior do coração.

Sinto as palavras percorrerem as minhas veias,
Usando o tempo que na vida eu vou gastar,
Para arrumá-las nos meus versos, em suas teias,
E conseguir aos meus leitores segurar,
Pra que as horas ao passarem fiquem cheias
De esperanças e de amor. Para alegrar!

É nesta busca prazerosa e até frenética,
Que vou somando cada verso do poema,
Também cuidando do perfil e da estética,
Pra não criar no meu leitor mais um dilema,
Mas sim lhe dar uma leitura que patética,
Desperte a alma no esplendor de nova cena.

Talvez consiga, enquanto o tempo me envelhece,
A experiência necessária e o saber,
Suficientes pra ofertar a quem merece,
A singeleza de uma aurora, o alvorecer,
Ou mesmo a noite escura e eterna, a quem padece,
Na paz sublime sem temor, ao fenecer.

Assim persisto na procura de razões,
Entre as palavras, versos, textos, poesias,
Que justifiquem nos momentos emoções
De alegria, pranto, risos, nostalgias,
Os sentimentos que desgastam corações,
E chegam ao auge terminando nossos dias.



sábado, 28 de maio de 2011

ADMITIR


Condorcet Aranha

Enoja-me admitir que sou um cidadão honesto,
Num emaranhado de desmandos, desrespeitos e falcatruas.
É como se santificar, sem altar, sem fé,
Num misto indefinível, entre demônios a andar nas ruas.

Enoja-me admitir que sou um cidadão honesto,
Sob a tutela de governos corruptos e autoritários,
Subjugando-me, à vergonha dos seus atos porcos,
Além de injustos impostos arbitrários.

Enoja-me admitir que sou um cidadão honesto,
Já nos limites de idade, que o País permite,
No subjugo desonesto e da incapacidade
Em oferecer, mas manda-me, com dedo em riste.

Enoja-me admitir que sou um cidadão honesto,
Vivendo entre a malária, dengue e outras mais,
Ausentes e esquecidas, nos tempos dos meus pais!
Hoje de volta e ocorrendo nas grandes Capitais.

Enoja-me admitir que sou um cidadão honesto,
Ao ver a natureza dizimada, pelo vil poder dos capitais,
Que rouba-nos sem piedade, sem resistência governamental,
O pouco que nos resta, de recursos naturais.

Enoja-me admitir que sou um cidadão honesto,
Observando a carruagem da cultura e educação,
A despencar pelo barranco, para um vale escuro,
Sem ter sequer, como salvá-la, com um freio à mão.

Enoja-me admitir que sou um cidadão honesto,
Sem condições para ajudar, quem não tem nada,
Apesar de uma bagagem que me faz capaz,
Obstruído pela justiça, inoperante e ultrapassada.

Enoja-me admitir que sou um cidadão honesto,
Nessa democracia que é só para “inglês ver”,
A massacrar meu povo, indefeso e vilipendiado,
Pela real escravatura, do internacional, poder.

Enoja-me admitir que sou um cidadão honesto,
Olhando os filhos entre drogas, pelas ruas, viciados,
Sem os conselhos que se dava em casa,
Sendo induzidos pela ambição e marginalizados.


Enoja-me admitir que sou um cidadão honesto,
Tentando resistir, sob o domínio de governo espúrio!
Para impedir que jovens ponham ao solo, seu conteúdo,
E manchem as ruas qual o cromo do mercúrio.

Enoja-me admitir que sou um cidadão honesto,
Ao ver as rédeas tesas, em mãos injustas,
Como as dos capitalistas, que a alma vendem,
Sem defender-me, entre agressões tão brutas.

Enoja-me admitir que sou um cidadão honesto,
Seguindo a vida, contra os meus próprios ideais,
Ao deparar com as crianças inocentes, pelas ruas,
À disposição do crime organizado e de audazes marginais.

Enoja-me admitir que sou um cidadão honesto,
Vivendo no acéfalo, “País das maravilhas”,
Onde os corruptos, ladrões e criminosos,
Curtem prazeres, com bolsos cheios, em várias ilhas.

Enoja-me admitir que sou um cidadão honesto,
Se, embora à força, participo da tragédia,
Usando apenas, minha voz, a motivar aos jovens,
Ciente de que o tempo é curto, para tal tragicomédia.

Enoja-me admitir que sou um cidadão honesto
Vencido, temporariamente, pela saga dos inescrupulosos,
Cedendo em mil momentos e em defesa da família,
Para apenas adiar esse confronto, com os bárbaros maldosos.

Enoja-me admitir que sou um cidadão honesto,
Se, atendo ao comando inconseqüente de um vil político,
Sem refutar ou agrupar alguns fiéis e seguidores,
Pelo temor da força e duros atos, do momento crítico.

Enoja-me admitir que sou um cidadão honesto,
Se, vivo insegurança, em meu próprio lar,
Na mira de bandidos que podem invadi-lo,
E, em defesa da família, poderei, matar.

Enoja-me admitir que sou um cidadão honesto,
Quando ao passar em frente aos postos de saúde,
Vejo crianças, mulheres e velhos destratados,
Que, certamente, antes da hora, deitar-se-ão no ataúde.

Enoja-me admitir que sou um cidadão honesto,
Ao ver, tenras crianças, por semáforos afora,
Subjugadas às imposições de falsos pais,
Que lhes obrigam a trabalhar fora de hora.

Enoja-me admitir que sou um cidadão honesto,
Se nada faço contra o curso, dessa estória!
Mas dentro d’alma um sentimento me conduz,
Ao qual não venço, infringindo-me a memória.

Enoja-me admitir que sou um cidadão honesto,
Ao ver irmãos de pés descalços, em noites frias,
Sempre humilhados, escorraçados, sem trabalho,
Sendo incapaz de oferecer-lhes, algumas alegrias.

Enoja-me admitir que sou um cidadão honesto,
Quando o governo deste meu País,
Com arrogância, entre mentiras, diz,
Para agradar o FMI, que meu Brasil, vai bem!

Enoja-me admitir que sou um cidadão honesto,
Vendo sumir e sem defesa, a nossa flora,
Para alegria dos corruptos, daqui e do exterior!
Ante o olhar dessas crianças, que comida implora.

Enoja-me admitir que sou um cidadão honesto,
Se, ainda estou calado, e olho o bando a extorquir,
Numa sociedade suprimida dos direitos mínimos,
Que vencida por doença e fome, nem, pode reagir.

Enoja-me admitir que sou um cidadão honesto,
A quem restou, bem poucas laudas para um protesto,
Contra esse mar de roubos de “governadores”
Que ao próprio povo, causa tantas dores.

Enoja-me admitir que sou um cidadão honesto,
Usando esse meu tempo e o papel tão branco,
Para expor, esse meu sentimento interno,
Honesto e puro, ou seja, apenas franco.

Enoja-me admitir que sou um cidadão honesto,
Um “caipira”, como disse um troglodita,
Com orgulho besta, que se diz “filósofo”,
Sem perceber o halo da burrice dita.

Enoja-me admitir que sou um cidadão honesto,
Enoja-me admitir que sou um cidadão e presto.
Enoja-me admitir que sou um cidadão e resto.
Enoja-me admitir que sou um cidadão. Protesto!

quarta-feira, 25 de maio de 2011

A VOLTA DO JECA TATU


Condorcet Aranha

       Esse é o momento brasileiro, um navio sem rumo nas mãos de um capitão cheio de medalhas e de alma vazia. Formação universitária, títulos e sei lá mais o quê, não são na verdade o passaporte para administrar um País, como o nosso, tão rico em seus recursos naturais. É preciso, antes de qualquer coisa, ter sido brasileiro desde a primeira infância, ter nascido nos hospitais conveniados com o INSS, ter recebido alimentação deficitária, ter estudado em escola pública durante todo o seu ciclo estudantil (até aqui falei o óbvio e o direito de todo o cidadão brasileiro) e concretizado seus ideais como primeiro colocado num concurso vestibular de uma Universidade Federal, numa grande Capital (agora falei o impossível e viajei além da imaginação). Concluir o curso superior como um dos melhores acadêmicos e finalmente conseguir o primeiro lugar, em concurso público, para uma Instituição de Pesquisa Científica em um dos principais estados do País.  Aí nem pensar.
      Precisamos é repensar nosso procedimento como cidadãos porque, apesar de termos muitas entidades representativas de classe como associações, sindicatos, entre outras, todas estão destituídas de força representativa e, para percebermos esse fato, não precisamos nos esforçar e nem muito procurar. A comprovação dessa realidade está diante de nossos olhos quase que diariamente.
      Um país realmente democrata não precisa ser governado por intermináveis medidas provisórias e nem tampouco, comprar os votos dos inatingíveis e rapinas senadores, numa demonstração pública do caráter daqueles que erroneamente insistimos em colocar, através dos votos, como nossos lídimos representantes.
      A desmoralização e a desestruturação dos órgãos públicos é conseqüência das mazelas de integrantes corruptos de nossa administração pública, muitas vezes acobertados e protegidos por políticos da mesma laia.
      Os bens e próprios públicos são vendidos como sucatas em feiras livres, sob a alegação de serem deficitários e prejudiciais a economia do País, deixando-nos fugir das mãos as rédeas de corsários imprescindíveis para nossa carruagem, que insiste em caminhar rumo ao progresso com liberdade e ainda atrela-nos aos interesses escusos e imperialistas de capitais estrangeiros, com economias centralizadas nas mãos de três ou quatro países que tentam de todas as formas, até mesmo fomentando guerras, sob a máscara de uma enfadonha globalização, buscando com esse intento inescrupuloso, escravizar-nos em pleno terceiro milênio.
      Um presidente que prima por desmoralizar seus próprios funcionários e conterrâneos, culpando-os por escassez de recursos na previdência, FGTS e outras instituições públicas mas que, não é homem suficiente para dizer lá fora, onde foi nos desmoralizar, que a escassez dos fundos é conseqüência dos roubos descarados de seus colegas, amiguinhos e irmãos de atividades, os seus reais parceiros na destruição moral desse nosso Brasil. Chamar-nos de caipiras posso até concordar, isso porque caipira, na concepção da palavra, é um homem do campo, simples, trabalhador, sem grandes ambições, comparsa da natureza a quem tanto ama e, acima de tudo, honesto, mas honesto mesmo, aquele que não precisa assinar nenhum documento para cumprir com sua palavra e aí sim, até concordo com o presidente, porque lá nos palácios planálticos não circula um caipira sequer.
      É isso que precisamos, povo brasileiro, escolher alguns caipiras estudados para ocuparem todos os postos administrativos e públicos desse país.
      Vamos dar um basta para os almofadinhas e falsos defensores da pátria, aos larápios e  bandidos, às irresponsáveis filosofias e aos insuportáveis sociólogos sorbonizados.                   Para administrar com sucesso uma terra tão grande e rica, só é viável com os verdadeiros caipiras. Aqueles que conhecem a textura do solo com a sola dos pés, que protegem a natureza com unhas e dentes ou com a própria vida, a qual também tiram dos recursos naturais, com quem sempre dividiram o espaço.
      Precisamos devolver às mãos do Jeca Tatu, essas terras que ele tão bem conhece. O caipira capaz de escutar o canto do sabiá, o tremular das folhagens ao zéfiro das tardes e então cansado ao anoitecer, com o estrilar das asas dos grilos, deixar-se adormecer, entregando-se aos sonhos reconfortantes de uma nova e promissora alvorada. Como é bom ser caipira, deitar a cabeça no travesseiro e apenas dormir. Lavar e descansar apenas o corpo, porque a alma está sempre limpa e alerta aos interesses maiores e verdadeiros da comunidade irmã.
       O Brasil precisa continuar sendo nosso. Aos invasores a repulsa, aos entregadores o esquecimento, aos incrédulos o desprezo, aos brasileiros o Brasil. Assim deverá ser nosso comportamento quando, diante das urnas eleitorais, formos depositar nosso voto, porque cada voto é uma bala da rajada de metralhadoras que pretendemos disparar contra essa máfia de politiglotas ( = políticos que sabem falar em várias línguas os absurdos e asneiras de sempre), inveterados corrupnantes (= corruptos eternamente atuantes), brasilôcos ( = que têm um oco no peito, justo aonde deveria estar o amor à pátria) e ditamedproves ( = indivíduo que executa atos ditatoriais através de infinitas medidas provisórias).
       Não precisamos de sábios nem de títulos para nos levarem no rumo certo do progresso com consciência e, muito menos, de vizinhos interessados nas moedas  que guardamos em nossos cofres. Saberemos caminhar com nossas pernas e nossa consciência, com nossa verdade e honestidade, liderados por nossos honrados e estudados caipiras, sob a tutela do conhecimento real e da capacidade de convivência com a natureza, do nosso líder Jeca Tatu.
       Ser brasileiro é amar as coisas da terra, expor suas obras, artes, artistas, língua,  folclore, hábitos e costumes, jamais e nunca mesmo, exibir-se como um macaquinho (desculpe-me o macaquinho pela comparação) imitando comportamentos e comunicando-se no idioma da terra visitada, que aliás não foram poucas, tal qual um papagaio (desculpe-me o papagaio).
      Quando esses internacionais de meia tigela nos visitam, como grandes personagens ou destaques, alguns até verdadeiros bredamerdas, (bregas e, que não valem, uma bosta), nos exigem estadias, locais, alimentação e ambiente, idênticos aos de suas origens, sem esboçar sequer, umas poucas frases em nosso idioma, ainda são ovacionados por platéias dirigidas pelo poder econômico e desviadas de sua própria origem, pela imposição de uma mídia facciosa.
       Salve-nos Jeca Tatu, essa é a hora para seu retorno, precisamos das coisas simples e da honestidade caipira. Homens nascem, crescem e se projetam dentro de sua terra, não precisam ir buscar fora os subsídios para resolverem seus problemas internos aos quais já conhecem sobejamente. Futebol e samba não se aprende nas universidades internacionais; virtudes não se fabricam nem se criam, elas vêem na carga genética; amor e respeito aos seus semelhantes, não se empurra goela à dentro porque estão cravados nas fibras do coração de um patriota. Salve-nos Jeca Tatu pois, só você trás no peito a nossa verdade, nossa esperança, nossos ideais e o amor fraterno. Ante um País moderno ou de primeiro mundo, preferimos um País honesto.