sábado, 5 de março de 2011

FOSTE

         

Condorcet Aranha

Como a menina que cresce
E da própria trança esquece,
Que após ser moça fogosa,
E ser chamada gostosa,
Sequer respeito merece,
Porque aos jovens parece,
Somente um elo perdido,
Que deve ser escondido,
Pois trás vergonha, a imagem,
Ao compor a paisagem,
Onde pra eles, beleza,
Espanta qualquer tristeza!
Mas, se esquecem, porém,
Com a falsa idéia que têm,
Que a vida é uma eternidade
E que sofrerão saudade,
Em ver no espelho da idade,
A sua imagem verdade,
Porque também esqueceram
E tanto tempo perderam,
Ao deixar de perceber,
Que a tal menina de trança,
Sem ilusões, ao morrer,
Agora a memória alcança,
Foi sua mãe, singeleza,
Dedicação e tristeza,
Não podendo mais pedir,
Perdão por sua omissão,
Tendo que um dia partir,
Com a chaga no coração.

quinta-feira, 3 de março de 2011

A VOLTA





Condorcet Aranha


      A noite ia alta; as estrelas se derramavam no mar; cada onda era espelhada pelo prateado luar e Arthur, olhando também as folhas das palmeiras que, como ondas, iam e vinham acompanhando a passagem da suave brisa, esperava avistar no horizonte escurecido a imagem de um barco que trouxesse, não os peixes de um pescador fortuito, e sim a sua Jurema.
      Ao lado de Arthur, as companheiras inseparáveis, saudade e esperança, dividiam seus momentos de tristeza e alegria, e a cada onda que chegava à praia, ele somava saudade e subtraía alegria. Sobre as areias brancas seu corpo descansava na incerteza, enquanto nos seus olhos, ora havia o brilho da esperança e ora o brilho do pranto. Porém, nada seria o suficientemente forte para afasta-lo dali porque como as raízes dos coqueiros, o seu amor por Jurema, se aprofundara nas areias.
     Sem saber a razão pela qual ela o abandonara, porque sequer despediu-se e nem mesmo um bilhete deixou, Arthur mantinha viva em seu peito a esperança da volta. Amargando às manhãs com o travesseiro de Jurema ao seu lado, no beiral da janela até o canário que tanto cantava, agora é tristeza e mudo ficou. Ah! Aquela roseira em frente à janela, há mais de três anos não vinga uma rosa sequer. O jardim está seco. As cortinas tão sujas por tanto que as abre em busca de ver, no fim da estrada, ao menos um vulto, que possa manter a sua esperança. Em seu desespero, o grande vazio da partida de Jurema, consome o seu peito, lhe toma as idéias, lhe deixa sem rumo. Por isso pergunta, a todos que passam ao longo da estrada, se viram à princesa dos olhos castanhos, cabelos bem longos mais negros que a noite, de andar tão macio que nem as areias conseguem gravar os seus pés delicados. Apenas o olham, sacodem seus ombros e seguem seus rumos, deixando expressões de rostos surpresos que cravam na alma de Arthur, espadas banhadas no sangue da desconfiança, julgando-o louco, talvez! Não importa o que pensam, quem sabe algum dia alguém lhe responda e diga que Jurema chegou lá na praia de braços abertos, sorriso nos lábios, chamando por ele.
     Por dias e meses, por anos seguidos de espera, Arthur se curvou ao peso da idade e agora, apenas o seu pensamento consegue chegar à beira do mar, as ondas nas rochas de espumas tão brancas, desmancham na praia de sua imaginação.
     A cortina apodreceu e despencou da janela, o canário morreu e a roseira também. O mato cresceu e tomou o jardim, mas não tomou a esperança de Arthur que, debruçado à janela, pergunta a todos que passam se viram a princesa de olhos castanhos, cabelos bem longos mais negros que a noite, de andar tão macio que nem as areias conseguem gravar os seus pés delicados. E todos respondem: Não vi seu Arthur! Porém se a vir lhe trago a princesa de volta. Arthur agradece, seus olhos brilham, uma lágrima escorre por suas rugas e se perde, mas ele não perde a esperança de que Jurema voltará. À noite, deita em sua cama e fica acariciando a areia da praia que colocou numa caixa de madeira à sua cabeceira, quando ainda podia andar, até que o sono lhe arrebate.
     O tempo não para, castiga ao Arthur que agora nem pode chegar à janela e, abraçado ao travesseiro de Jurema, pergunta se viram a princesa de olhos castanhos, cabelos bem longos mais negros que a noite, de andar tão macio que nem as areias conseguem gravar os seus pés delicados. Apenas Judith, que cuida de Arthur, lhe responde: Disseram que a viram chegando na praia e logo virá para vê-lo. 
     Arthur não responde, somente uma lágrima escorre nas rugas e some na cama.
     Ciente de que Arthur terá pouco tempo, Judith localiza Jurema e conta-lhe toda a sua vida. Também consumida pelo tempo, Jurema resolve ir até Arthur para conforta-lo. Ao chegar em sua casa, relembra o jardim agora tomado pelo mato, não há mais roseira e nem cortina na janela, tudo se foi. Mas, ela pensa, ainda resta a esperança em sua alma e minha presença lhe trará a tranqüilidade que precisa neste momento. Chega até a cabeceira da cama, coloca-se à frente de Arthur e diz-lhe: Arthur! Sou eu, Jurema, voltei!
     Olhando-a com indignação, ele responde: Por favor, tire os sapatos e pise na caixa de areia. Sem entender o que ele queria, Jurema resolve fazer sua vontade.
Pronto, pode sair. Olhou na areia e viu as pegadas profundas de Jurema, voltou seu olhar para ela e repreendeu-a: Sua impostora, eu vou ao encontro da minha princesa de olhos castanhos, cabelos bem longos, mais negros que a noite, de andar tão macio que nem as areias conseguem gravar os seus pés delicados. 
      A seguir suspirou profundamente e partiu. 
     
      
       
     
  
       

terça-feira, 1 de março de 2011

ENTRETANTOS



Condorcet Aranha
   
Entre tantos entremeios eu me entrego aos trancos,
Trazido por tristezas, todas toleradas,
Talvez por ser, também, um toleirão dos francos,
Trancado nas tormentas já vivenciadas.

Torcido totalmente por espertos truques,
Trafego em timidez, terrível, transgressiva,
Tocando um tamborim, trincado, nos batuques,
Da trama e da tendência, torpe e progressiva.

Transpiro as tais ternuras que transfiguradas,
Traspassam a tez e trazem a imagem deste traste,
Talhado por torturas, todas tituladas,
Com típica tendência para ser contraste.
Por bombas, “tsunamis”, terremotos, 
Na droga desta terra, tão torpedeada,

Talvez a droga d’hoje, qu’é tão desejada,
Não fosse responsável pelos tantos mortos.

No turbilhão terreno, os jovens turbinados,
Traficam, tomam drogas, tresloucados,
E terminam, pelas leis, terceirizadas,
Antecipando o fim de suas tenras vidas. 

Tememos, na tranca do futuro desta Terra,
No ritmo em que a violência agora toca,
Um fúnebre cortejo e que enterra,
Não gente! A esperança... Isto sufoca. 

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O uso indiscriminado de palavras que possuem a letra “t”, não foi um acaso, nem tampouco uma tese, mas uma técnica no trabalhar o texto...”Tá” ?!