sábado, 12 de fevereiro de 2011

MENSAGEM AO FILHO

Condorcet Aranha 

Deus - obra de Condorcet Aranha



Filho, a vida é um suceder de dias e incertezas,
Alguns bons, outros ruins, imprevisíveis.
Nuns chegarão tristezas em outros as alegrias,
Importante é ter certeza que todos são perecíveis.

Vive-los como chegarem, te darão experiência,
Que invadirá sua alma no percurso dessa vida,
Virá o discernimento, agirás com consciência,
Palavras virão maduras, sempre que proferidas.

Jamais se deixe levar pelas falsas emoções,
Chegam fácil, te confundem, na hora das decisões,
Vencendo a dor da paixão, teu amor será sincero,
Até gostará da vida, como eu, assim espero.

Não te afastes da verdade, sequer num único instante,
Por perto estão as balelas, vá buscar razões, distante,
As conseqüências dos atos, cobrem os ramos de folhagem,
Mostra, o perfil da planta, da folha seca a viajem.

Folha seca que é rascunho, do diário da existência,
Orgulho terá, ao fim, quem viveu com paciência.
Escute filho e acredite que sofrer você não vai,
Na despedida! Agradeça. É um conselho de pai.

Se algo existir além, da terra em que hoje vivo,
Não há de trazer surpresas, será algo muito antigo,
Ao teu Deus, tu agradeças, esta vida que é só uma,
Pois tristezas e alegrias, tu não levarás nenhuma.
                                                                 
Àqueles que aqui deixares, herdarão o seu legado,
Ruminarão certamente, as dúvidas que levastes,
É uma moto contínua, que deixa o peito engasgado,
O coração apertado, tal qual o que carregastes.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

DOCE BOM OU DOCE RUIM?

Poesias, Prosas e Sonetos
Condorcet Aranha


É doce bom o amor
Quando está na dose certa,
Se demais doce for
A garganta nos aperta.

É doce ruim o amor
Quando o seu sabor ressalta,
Se pouco doce ele for
Muito doce ainda falta.

Pra fazer doce o amor
Preciso açúcar e vontade,
Porque doce sem sabor
Não se come nem metade.

Doce bom que leva amor
Como faz o confeiteiro,
É de excelente sabor
E se come o doce inteiro.

Doce bom ou doce ruim,
Escolha o quer fazer,
Mas depois que o der pra mim
Não vá mais se arrepender.

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terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

O CLONE

Condorcet Aranha


Chegou a noite fria,
O negro me envolveu,
Gelou-me toda a alma,
Perdi o que foi teu.

Sem ter o próprio amor,
Chorou meu coração,
Sentindo a forte dor,
Da dura solidão.

Estrelas eu só vejo,
Nas lágrimas brotadas,
Dos olhos, das lembranças,
Das ilusões passadas.

Restando dessa vida,
Da lua, só metade,
Pra ter um novo amor,
Não tenho mais vontade.

Por isso a noite escura,
É mesmo interminável,
E o breu da desventura,
Amigo inseparável.

Sem ter sequer um filho,
Sem fé, sei lá o quê,
A noite não tem brilho,
Sou clone de você.